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A HISTÓRIA DAS TECLAS: DO ÓRGÃO AO TECLADO ELETRÔNICO

O teclado é um dos instrumentos eletrônicos modernos, criados nas primeiras décadas do século XX. Tornou-se extremamente popular por volta dos anos de 1950 e até os dias atuais são imprescindíveis para a execução de diversos gêneros musicais, como: o jazz, o blues, o rock e o pop, entre outros.


Conheça um pouco mais sobre as origens e curiosidades desse versátil instrumento musical!



Os primeiros instrumentos de teclas surgiram em meados do século III a.C. Entre os “irmãos mais velhos” do teclado, estão: o órgão, o clavicórdio, o cravo e o piano.



ÓRGÃO


O órgão é um dos instrumentos mais antigos da tradição musical do Ocidente. É considerado o primeiro instrumento de teclas.


O seu antepassado é o hidraulo, hydraulos ou órgão hidráulico, inventado no século III a.C. pelo engenheiro grego Ctesíbio de Alexandria, responsável pelo cruzamento da flauta típica grega, o aulo, com o sistema hidráulico de injeção de ar comprimido nos tubos.


Este instrumento teve grande destaque durante o Império Romano. Alcançando altas amplitudes sonoras (volume), era excelente para ser utilizado ao ar-livre: em jogos, no circo e nos anfiteatros. Nesta altura, o hidraulo era já denominado órgão hidráulico (organum hydraulicum em latim ou organon hydraulikon em grego).


O sistema hidráulico foi usado até ao século V, surgindo no século IV o sistema pneumático de foles. Como já não havia mais o componente hidráulico, o instrumento passou a ser denominado “Organus”.


Desde sua invenção até o século XIV, o órgão permaneceu como o único instrumento de teclas.



CLAVICÓRDIO


O clavicórdio foi inventado no início do século XIV, constituído por teclado e cordas percutidas.


Foi usado na Europa desde o final da Idade Média, passando pelo Renascimento, Barroco, até o período Clássico. Historicamente, era utilizado como um instrumento para se praticar ou como um auxiliar para composições, já que não produzia um som com volume adequado à audição em grandes espaços.



CRAVO


A origem do cravo é obscura, mas sabe-se que surgiu em algum momento da alta Idade Média. As mais antigas referências escritas sobre o instrumento datam de 1300.


O primeiro cravo era chamado de “clavicêmbalo”, dotado de apenas um teclado com no máximo quatro oitavas e sem amortecedores para as cordas.


O cravo é classificado como um instrumento de cordas pinçadas, pois para cada tecla tocada, três ou mais cordas são beliscadas por um “pelectro”, originalmente feito de pena ou de couro animal. Um cravo pode conter de uma a três fileiras de teclados, chamadas de manuais. Existem duas variantes principais deste instrumento: a espineta e o virginal.


O grande esplendor do cravo ocorreu no período Barroco, com as inúmeras suítes, fantasias e fugas, além do papel de baixo contínuo e no recitativo de óperas. Dentre os grandes compositores para cravo, estão: Scarlatti, Bach, Haendel, Couperin e Rameau.



PIANO


Em 1700, surge o piano, inventado pelo italiano Bartolomeo Cristofori, perito em música e fabricante de instrumentos musicais desde criança.


Após se aperfeiçoar na produção de cravos, Bartolomeo começou a experimentar algumas adaptações no instrumento, resultando no piano. O piano e o cravo diferem essencialmente no modo como produzem o som. No cravo original, podemos dizer que as cordas musicais são beliscadas por bicos de penas. Já no piano, elas são tocadas por martelos que se afastam logo depois de tocá-las, o que faz com que elas vibrem livremente. Inclusive, muitos se referiam ao instrumento na época como “cravo com martelos”.


Outro ponto interessante é que o piano é capaz de emitir sons suaves ou fortes conforme a intensidade aplicada pelo músico, e o cravo não é capaz de tal ação.


Apesar de Bartolomeo ter criado o instrumento musical, ele foi considerado bastante precário em seus primórdios. No decorrer das décadas, o pianoforte foi aperfeiçoado tornando-se gradualmente mais clássico e comum no Ocidente, atendendo às novas exigências do Classicismo moderno, para ser tocado em grandes teatros.


Em 1783, o inglês John Brodwood acrescentou o pedal de surdina e o pedal direito. E em 1821, o francês Sébastien Erhard criou o mecanismo que permite o toque repetido das mesmas teclas. Essas pequenas mudanças fizeram muita diferença para a evolução do instrumento.



TECLADO ELETRÔNICO


Os primeiros sinais de um teclado eletrônico surgiram em 1874, com o “Telegraph Musical”, inventado por Elisha Grey.




A partir daí, durante o século XX, os instrumentos de teclas sofreram grandes transformações. Mas foi em 1928 que o primeiro teclado musical eletrônico foi oficialmente inventado. Conhecido como “Ondas Maternot”, possuía um som ondulante, bastante semelhante ao de um órgão.


Nos anos 60 houve um significativo desenvolvimento dos teclados sintetizadores. Foi nesse período que os teclados eletrônicos começaram a reproduzir satisfatoriamente o timbre do piano e de outros instrumentos musicais.




Um dos sintetizadores mais notáveis, foi o gigantesco “Moog”, projetado por Robert Moog em 1960. Medindo quase o tamanho de uma parede, utilizava um circuito analógico e era monofônico, ou seja, era possível tocar apenas uma nota por vez, desafinando com facilidade devido à instabilidade dos osciladores. O Moog começou a ser comercializado a partir de 1964, porém era um instrumento muito caro.


Com o tempo os sintetizadores digitais evoluíram, ganhando cada vez mais funcionalidades, além de ter o seu tamanho e peso reduzidos. Os valores de mercado também se tornaram mais acessíveis, o que facilitou muito a sua popularização.




Atualmente, o teclado é um dos instrumentos mais utilizados, por causa de sua grande flexibilidade e versatilidade, podendo facilmente substituir um grupo musical completo, ao simular os sons de diversos instrumentos, como: bateria, guitarra, violão, cordas, contrabaixo, percussão, entre outros.



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