• Diego Vivan

VICENT VAN GOGH: O GÊNIO INCOMPREENDIDO

Considerado uma das figuras mais famosas e influentes da história da arte ocidental, Van Gogh criou mais de duas mil obras ao longo de sua vida, incluindo 860 pinturas a óleo.


De gênio forte e personalidade impulsiva, teve seu trabalho reconhecido, somente após a sua morte.


A seguir, conheça um pouco mais sobre esse grande pintor do século XIX.



Vincent van Gogh foi um importante pintor holandês e um dos maiores representantes da pintura pós-impressionista. Foi um homem intenso, que usava a arte como ferramenta de sobrevivência em meio a uma agitada e instável saúde emocional e psicológica.


Nasceu em Zundert, uma pequena aldeia na Holanda, em 1853. Seu pai era pastor de uma igreja protestante, e a mãe uma artista que praticava desenho e aquarela. Era uma criança rebelde e insociável. Tinha cinco irmãos, sendo três mulheres e dois homens, um deles chamava-se Theo, e foi o seu melhor amigo durante toda vida.

Vincent teve alguns romances malsucedidos, destacando-se as paixões arrebatadoras, por uma prima e por uma prostituta. Visto como um homem solitário, não teve filhos e nunca se casou.


Apresentou diversos episódios de instabilidade mental e comportamentos tempestuosos, chegando ao ponto de ser internado em hospitais psiquiátricos. Arquivos e depoimentos relatam que ele não se alimentava muito bem e consumia bebidas alcoólicas com frequência.


Antes de dedicar-se à pintura, o artista pensou em seguir a carreira do pai. Chegou a prestar vestibular para o curso de Teologia, mas não foi aprovado. Depois trabalhou como missionário na Bélgica. Porém, foi dispensado pelo seu temperamento, considerado muito “instável”, característica que o acompanhou ao longo de sua vida.

A prática da pintura veio tardiamente, por volta dos 28 anos de idade, enquanto aprofundava seus estudos artísticos em Haia, cidade holandesa localizada a 80 km de sua cidade natal.


Um dos quadros mais famosos e antigos de Van Gogh é “O Comedor de Batatas”, que retrata a vida simples dos camponeses. Os tons sombrios e empastados revelam a natureza triste do seu momento de vida: Foi pintado em 1885, ano no qual seu pai morreu de maneira repentina, deixando o artista de 32 anos, completamente desolado.

Em 1888, com a saúde precária, ele decide passar um tempo em Arles, uma comuna francesa, onde desfruta de muito tempo ao ar livre. Na época, Van Gogh pinta suas obras mais importantes, entre elas “Vista de Arles com Lírios” (1888), “Girassóis” (1888) e “Quarto em Arles” (1888). Uma exposição na Galeria de Bruxelas é organizada, mas o artista só vende um quadro, “A Vinha Encarnada” (1888), o único que teria sido vendido durante a vida do pintor.


Neste mesmo ano, protagonizou um dos episódios mais famosos da história da arte: quando amputou sua orelha esquerda. O motivo da automutilação teria sido um desentendimento com o pintor francês, Paul Gauguin, seu amigo até então. Após cortar a própria orelha, entregou o pedaço a uma amiga prostituta e foi para casa. Dormiu como se nada houvesse acontecido, sendo encontrado pela polícia, desmaiado e todo ensanguentado. Foi levado ao hospital, onde permaneceu internado por 14 dias. Assim que recebeu alta, retratou o ocorrido no famoso quadro “Autorretrato com a Orelha Cortada”.


Os autorretratos de Van Gogh tiveram muito destaque em seu legado. Foram registradas mais de 40 pinturas. A maioria apresentava a sua figura com olhares expressivos.


Em 1889, Van Gogh internou-se voluntariamente em um asilo para doentes mentais situado em Saint Remy de Provence, na França. Na ocasião, pintou algumas de suas obras de maior renome: “A noite estrelada”.


Segundo relatos, no dia 27 de julho de 1890, o artista estava ao ar livre, num campo em Auvers, na França, quando resolveu atirar contra o próprio peito. Mesmo ferido, caminhou até em casa. Foi encontrado por amigos que o levaram para o hospital. Infelizmente, os médicos não conseguiram retirar a bala alojada em seu corpo, o que o levou à morte dois dias depois do incidente.


Embora essa versão seja considerada oficial, sua morte ainda gera muitas controversas. A animação biográfica “Com Amor, Van Gogh”, retrata com detalhes o mistério que circunda seu suposto suicídio, aos 37 anos de idade.


A fama e o reconhecimento vieram somente após a sua morte. Grande parte de sua história está descrita nas 750 cartas que escreveu para o seu irmão Theo, seu maior incentivador e provedor. As correspondências evidenciavam a forte ligação entre os dois e a dependência emocional e financeira que Van Gogh tinha do irmão.


Incluindo paisagens, natureza-morta, retratos e autorretratos, suas obras são caracterizadas por cores dramáticas e vibrantes, além de pinceladas impulsivas e expressivas, que contribuíram para as fundações da arte moderna e trouxeram distinção para o estilo do pintor.


Confira algumas das principais obras de Van Gogh:


· Os comedores de batatas (1885)

· A casa amarela (1888)

· Terraço do café na praça do fórum (1888)

· A vinha encarnada ou Vinhedo Vermelho- (1888)

· Doze girassóis em uma jarra (1889)

· A noite estrelada (1889)

· Autorretrato (1889)

· Autorretrato com a orelha cortada (1889)

· Lírios (1889)

· O campo de trigos com corvos (1890)

· Retrato de Dr. Felix Rey (1889)



Sua ousadia e originalidade podem ser descritas em uma de suas frases célebres:


“Os pescadores sabem que o mar é perigoso e que a tempestade é terrível, mas eles nunca julgaram esses perigos como razão suficiente para permanecer em terra”.


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